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Tarifas de eletricidade em Portugal

Regulada ou livre, fixa ou indexada, simples ou bi-horária. São três escolhas diferentes e independentes — e quase toda a gente as confunde numa só. Aqui ficam arrumadas, com os preços da ERSE para 2026.

Atualizado a 15 de julho de 2026

São três escolhas, não uma

A confusão começa aqui: "mudar de tarifa" pode querer dizer três coisas completamente diferentes, e cada uma mexe numa parte distinta da fatura. Pode fazer uma sem fazer as outras.

As três escolhas que se escondem por trás da palavra "tarifa". São independentes: pode estar no mercado livre com preço fixo e tarifa simples, ou no regulado com bi-horária.
A escolha As opções Do que depende
Quem lhe vende Mercado regulado ou mercado livre Se quer o preço da ERSE ou negociar com um comercializador
Como varia o preço Fixa ou indexada Se aguenta que o preço acompanhe o mercado grossista
Estrutura horária Simples, bi-horária ou tri-horária A que horas gasta a eletricidade

Mercado regulado vs mercado livre

No mercado regulado, o preço é fixado pela ERSE e aplicado pela EDP Serviço Universal, o comercializador de último recurso. Chama-se Tarifa Transitória de Venda a Clientes Finais, é igual para toda a gente e muda uma vez por ano. No mercado livre, cada comercializador põe o preço que entender. A eletricidade é a mesma, os fios são os mesmos (da E-Redes) e a fiabilidade é a mesma — nenhum comercializador lhe dá luz melhor que outro.

O mercado livre não é "o barato"

É a ideia mais repetida e os dados da ERSE desmentem-na: em média, o mercado livre saiu mais caro que o regulado, e só 7 a 12 dos 22 comercializadores batem a tarifa regulada. A melhor oferta poupa 11 a 14 % — a média, não. O que poupa é escolher bem, não sair do regulado. Os números estão aqui.

Tarifa fixa vs tarifa indexada

Numa tarifa fixa, o preço do kWh está escrito no contrato e não se mexe durante o período acordado. Se o mercado grossista duplicar amanhã, a sua fatura não muda: quem comprou o risco foi o comercializador — e já lho cobrou, embutido no preço que lhe vendeu. É a escolha de quem quer previsibilidade.

Numa tarifa indexada, o preço acompanha o mercado grossista (o OMIE) hora a hora. Nos meses calmos costuma sair mais barata; num pico, paga o pico. Faz sentido para quem consegue deslocar consumo para as horas baratas e aguenta um mês mau sem entrar em pânico. Para quem tem um consumo rígido a horas caras, é comprar risco sem receber nada em troca.

Se tem — ou está a pensar ter — uma tarifa indexada, o preço do mercado publica-se todos os dias em OMIE hoje, hora a hora. E se tem tarifa fixa, esse número não lhe mexe na fatura: é a diferença que quase ninguém explica.

Simples, bi-horária e tri-horária

Esta é a escolha que existe tanto no regulado como no livre: quantos preços diferentes tem o seu dia. O consumo é o mesmo — o que muda é quanto custa cada kWh conforme a hora a que o gasta. O contador já sabe distinguir as horas, não é preciso trocar nada.

Preços da energia na tarifa regulada (TTVCF) para 2026, sem IVA, escalão >2,3 e ≤20,7 kVA. Fonte: ERSE — Tarifas e Preços para a Energia Elétrica e Outros Serviços em 2026 (dezembro 2025). O termo de potência é igual nas três estruturas, por isso não entra nesta comparação.
Estrutura Período €/kWh Face à simples
Simples Todas as horas 0,1654
Bi-horária Vazio 0,1087 -34 %
Fora de vazio 0,1988 +20 %
Tri-horária Ponta 0,2495 +51 %
Cheias 0,1690 +2 %
Vazio 0,1087 -34 %

Repare no que a tabela mostra e a publicidade nunca diz: a bi-horária desconta 34 % no vazio mas agrava 20 % fora dele, e a ponta da tri-horária é 51 % mais cara que a simples. Não há almoços grátis: a estrutura horária é uma troca, e só ganha se o seu consumo estiver do lado certo dela.

Para a bi-horária, essa troca tem um número exato: precisa de 37,1 % do consumo em horas de vazio para ficar a ganhar. Abaixo disso, perde. O simulador diz-lhe de que lado está — e não lhe pergunta se "gasta de noite", pede-lhe para marcar as horas.

As horas de vazio não são escolha sua nem do comercializador

São fixadas pela ERSE. No ciclo diário são 10 horas por dia — a madrugada e o fim da noite — e são as mesmas no inverno e no verão: o relógio muda, o horário dentro dele não. No ciclo semanal, os fins de semana têm muito mais horas de vazio e o domingo é quase todo vazio. Confirme com o seu comercializador qual o ciclo do seu contrato: muda a conta toda.

O que a tarifa muda na fatura (e o que não muda)

A fatura da luz tem duas metades e a tarifa só mexe numa delas. A energia (kWh × preço) é o que muda ao trocar de tarifa. O termo de potência (€/dia, que paga esteja em casa ou de férias) quase não varia entre comercializadores, porque a maior parte dele é tarifa de acesso às redes — que é regulada e igual para todos. A taxa DGEG, o Imposto Especial de Consumo e a Contribuição Audiovisual não mudam com nada disto: paga-os com qualquer comercializador.

Daí a consequência prática que quase ninguém tira: quanto menos gasta, menos vale a pena trocar de tarifa — e mais vale a pena verificar a potência contratada. Numa casa de consumo baixo, o termo de potência é a maior fatia da fatura, e nenhum comercializador lho baixa.

Escolhida a teoria, falta decidir

Esta página explica; as decisões têm ferramenta própria, porque são três perguntas diferentes e misturá-las é como se perde dinheiro:

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre mercado regulado e mercado livre?

No mercado regulado o preço é fixado pela ERSE e aplicado pelo comercializador de último recurso (a EDP Serviço Universal) — chama-se Tarifa Transitória de Venda a Clientes Finais. É igual para toda a gente e muda uma vez por ano. No mercado livre cada comercializador põe o preço que quiser e negoceia consigo. A eletricidade é exatamente a mesma, nos mesmos fios, com a mesma fiabilidade: o que muda é quem lhe emite a fatura e quanto lhe cobra.

O mercado livre é mais barato que o regulado?

A melhor oferta é. A média não. O único relatório de preços médios reais da ERSE conclui que há um afastamento entre o preço médio praticado no mercado livre, mais elevado, e o preço do mercado regulado — ou seja, em média o mercado livre saiu mais caro. Apenas 7 a 12 dos 22 comercializadores batem a tarifa regulada, conforme o perfil. Mudar poupa se escolher bem; mudar às cegas é uma aposta com probabilidade real de perder.

O que é uma tarifa indexada?

É uma tarifa em que o preço do kWh acompanha o mercado grossista (o OMIE) hora a hora, em vez de estar fixo no contrato. Nos meses calmos costuma sair mais barata que a fixa; num pico de preços, paga o pico. Faz sentido para quem consegue deslocar consumo para as horas baratas e aguenta um mês mau sem sobressalto. Para um consumo rígido a horas caras, é comprar risco sem contrapartida.

O que são as horas de vazio e quem as decide?

São as horas em que a energia é mais barata na bi-horária e na tri-horária, e não as escolhe nem o comercializador nem você: são fixadas pela ERSE. No ciclo diário são 10 horas por dia — essencialmente a madrugada e o fim da noite — e, ao contrário do que muita gente pensa, são as mesmas no inverno e no verão: o relógio muda, o horário dentro dele não. Confirme com o comercializador qual o ciclo do seu contrato, diário ou semanal, porque muda a conta toda.

Existe tarifa tri-horária para casas?

Existe, em Baixa Tensão Normal, e tem preços próprios nas tarifas da ERSE para 2026 — mas é tão pouco falada que quase ninguém sabe que pode pedi-la. Divide o dia em ponta, cheias e vazio. Só compensa a quem consegue mesmo fugir às horas de ponta, porque a ponta é bastante mais cara que o preço da tarifa simples. Se está em casa ao jantar, é o pior sítio para estar.

Posso voltar ao mercado regulado depois de sair?

Pode. O comercializador de último recurso é precisamente isso: a rede de segurança. Não fica preso ao mercado livre por ter saído do regulado uma vez. O que o pode prender é o período de permanência do contrato que assinou no mercado livre — é a primeira coisa a confirmar antes de assinar seja o que for.

Esta página tem ligações de afiliado. Se mudar de tarifa através delas, recebemos uma comissão do comercializador — sem qualquer custo acrescido para si. Isso não altera os cálculos nem a ordem das comparações.