Eletricidade mais barata: onde se poupa mesmo
A melhor oferta do mercado poupa 11 a 14 % face à tarifa regulada — são os números da ERSE, não os nossos. Mas a média do mercado livre sai mais cara que o regulado. A diferença entre estas duas frases é a razão desta página.
"Mudar para o mercado livre poupa" é falso
É a frase mais repetida sobre eletricidade em Portugal e os dados da própria ERSE desmentem-na. O único relatório de preços médios reais que a ERSE publica conclui que há «um afastamento entre o preço médio praticado no mercado livre, mais elevado, e o preço do mercado regulado». Em média, o mercado livre saiu mais caro. E só 7 a 12 dos 22 comercializadores batem a tarifa regulada, conforme o perfil.
O que poupa não é sair do regulado. É escolher uma boa oferta — e a diferença entre a melhor e a pior é maior do que a diferença entre o regulado e a média do livre. Por isso é que vale a pena comparar em vez de assinar a primeira coisa que lhe telefonar.
Quanto poupa a melhor oferta, por perfil
Estes são os números do ERSE — Boletim das Ofertas Comerciais de Eletricidade, T2 2026, publicado a 24 de junho de 2026, com base nas ofertas que estavam no simulador da ERSE na 3.ª semana de maio de 2026. São valores mensais com taxas e impostos incluídos, para um consumo com 40 % em horas de vazio. São as melhores ofertas de cada comercializador, não médias — é o teto do que consegue poupar, não o que acontece por acidente.
| Perfil | Regulado | Melhor oferta | Poupança | Por ano |
|---|---|---|---|---|
| 1900 kWh · 3.45 kVA | 36,82 € | 31,80 € | −13,6 % | 60,24 € |
| 5000 kWh · 6.9 kVA | 95,03 € | 84,75 € | −10,8 % | 123,36 € |
| 10 900 kWh · 13.8 kVA | 212,68 € | 186,23 € | −12,4 % | 317,40 € |
No perfil de 1900 kWh, a ERSE publica também a pior oferta do mercado: 52,01 €/mês, contra 31,80 € da melhor. São 242,52 € por ano de diferença — pela mesma eletricidade, nos mesmos fios, com a mesma fiabilidade. A escolha é a única coisa que muda.
As tarifas que temos em ficheiro
Esta tabela é calculada com o nosso motor para um perfil de 5.000 kWh/ano a 6,9 kVA na tarifa simples, com IVA, IEC, taxa DGEG e Contribuição Audiovisual — o mesmo perfil da linha destacada em cima, para os números serem comparáveis.
| Comercializador | Tarifa | Por mês | Por ano | Permanência |
|---|---|---|---|---|
| EDP Serviço Universal | Tarifa regulada — TTVCF (comercializador de último recurso) | 96,42 € | 1157,01 € | Sem permanência |
Atualizado a 15 de julho de 2026
Só temos a tarifa regulada em ficheiro: A tabela acima tem uma linha porque é a única tarifa cujos preços conseguimos confirmar numa fonte citável — o documento de tarifas da ERSE para 2026. Os preços das ofertas comerciais por comercializador não estão publicados em lado nenhum que se possa citar com data: o simulador da ERSE tem-nos todos, mas é uma aplicação interativa, não um documento. E não inventamos preços de empresas reais — um número inventado atribuído à EDP ou à Galp não é um erro de cálculo, é uma afirmação falsa sobre uma empresa identificada. Até os confirmarmos, a tabela honesta é esta e a comparação completa faz-se no simulador oficial da ERSE.
Compare antes de assinar
Se há uma coisa que estes números provam, é que a diferença está na escolha, não no salto. Veja quanto paga hoje e o que muda com cada tarifa — leva um minuto e não pede o seu e-mail.
Como escolher sem se enganar
- Saiba o que gasta. Consumo anual em kWh e potência contratada em kVA — estão os dois na fatura. Sem estes dois números, qualquer comparação é adivinhação.
- Compare o total anual, não o preço do kWh. Uma oferta com o kWh barato e o termo de potência caro sai-lhe mais cara se gastar pouco. O simulador soma as duas metades.
- Leia as condições do desconto. É aqui que se perde o que se ganhou: muitos preços anunciados dependem de débito direto, fatura eletrónica ou de um serviço agregado que não quer. Se falhar a condição, o preço sobe.
- Veja a permanência. Um contrato com fidelização tira-lhe a possibilidade de voltar a comparar daqui a um ano — que é precisamente quando voltará a valer a pena.
- Confirme no simulador da ERSE. É a referência oficial e tem o mercado todo. Nós explicamos-lhe a conta; a ERSE tem a lista completa.
Antes de mudar de tarifa, veja se não é outra coisa
Trocar de comercializador é a decisão que toda a gente pensa primeiro e muitas vezes não é a que poupa mais. Se a sua potência contratada está sobredimensionada, está a deitar fora dinheiro todos os dias, gaste ou não gaste — e isso não se arranja mudando de tarifa. Se gasta sobretudo de noite, a estrutura horária pode valer-lhe mais que o comercializador.
Perguntas frequentes
Qual é a eletricidade mais barata em Portugal?
Não há uma resposta única, e quem lhe der uma está a vender-lhe alguma coisa. Depende do seu consumo, da sua potência contratada e de quando gasta. O que os dados da ERSE mostram é o tamanho do prémio: no Boletim das Ofertas Comerciais do 2.º trimestre de 2026, a melhor oferta do mercado poupa entre 11 % e 14 % face à tarifa regulada, conforme o perfil — entre 60,24 € e 317,40 € por ano. Mas só se for à melhor oferta, não a uma qualquer.
Mudar para o mercado livre poupa sempre?
Não, e este é o mito mais caro que existe sobre eletricidade em Portugal. O único relatório de preços médios reais que a ERSE publica conclui que há um afastamento entre o preço médio praticado no mercado livre, mais elevado, e o preço do mercado regulado. Por outras palavras: em média, o mercado livre saiu mais caro. Apenas 7 a 12 dos 22 comercializadores batem a tarifa regulada, conforme o perfil de consumo. O que poupa não é sair do regulado — é escolher bem. Quem muda às cegas tem uma probabilidade real de ficar a perder.
Então porque é que toda a gente diz que o mercado livre é mais barato?
Porque a melhor oferta é mesmo mais barata, e é essa que aparece na publicidade. A média não aparece em lado nenhum, porque não vende. A diferença entre a melhor e a pior oferta do mercado é maior do que a diferença entre o regulado e a média do livre — no perfil de 1.900 kWh da ERSE, a melhor oferta fica em 31,80 €/mês e a pior em 52,01 €/mês. É a mesma eletricidade, nos mesmos fios, com a mesma fiabilidade. A escolha é que muda a fatura.
Mudar de comercializador dá trabalho ou fico sem luz?
Não fica sem luz um segundo e não há obra nenhuma. A rede continua a ser a mesma, da E-Redes, e o contador é o mesmo: só muda quem lhe emite a fatura. O novo comercializador trata do processo. As duas coisas a confirmar antes de assinar são o período de permanência e se o preço anunciado depende de ter débito direto, fatura eletrónica ou outro serviço agregado — é aí que os descontos costumam desaparecer.
A tarifa com o kWh mais barato é a mais barata?
Nem sempre. A fatura tem duas metades: a energia (kWh × preço) e o termo de potência (€/dia, que paga esteja em casa ou de férias), mais os impostos. Uma oferta com o kWh baratíssimo e o termo de potência caro pode sair-lhe mais cara se gastar pouco. Compare sempre o total anual, não o preço do kWh — é o que o nosso simulador faz.
E se eu gastar pouco?
Quanto menos gasta, menos pesa a energia e mais pesa o termo de potência — e o termo de potência quase não varia entre ofertas, porque a maior parte dele é tarifa de acesso às redes, que é regulada e igual para todos. Numa casa de 1.500 kWh/ano, trocar de tarifa mexe pouco. Nesse caso a decisão que lhe poupa mais dinheiro é baixar a potência contratada, se estiver sobredimensionada — e essa tem simulador próprio.
Fontes
- ERSE — ERSE — Boletim das Ofertas Comerciais de Eletricidade, T2 2026 — consultado a 15 de julho de 2026
- ERSE — Relatório de preços médios e margens no mercado retalhista de eletricidade de 2024 — consultado a 15 de julho de 2026
- ERSE — Simulador e Comparador de Ofertas Comerciais (referência oficial) — consultado a 15 de julho de 2026
- ERSE — Tarifas e Preços para a Energia Elétrica em 2026 — consultado a 15 de julho de 2026
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